quarta-feira, 11 de abril de 2012

Celebrando a Páscoa de Cristo


A vida cristã na Páscoa de Cristo
Vivenciando o tempo pascal
Por Marcos Cassiano Dutra


Com a celebração do tríduo pascal, a Igreja inicia o tempo litúrgico da páscoa. A presença do Ressuscitado, simbolizado no círio aceso durante as celebrações, é sinal simbólico de sua vitória triunfal frente ao pecado e a morte. Branca é a cor da liturgia nesse período solene, significa o caráter festivo que envolve a comunidade de fé, a qual caminhou penitente durante a quaresma para vislumbrar, na esperança, a escatologia final de todos apartir da redenção e salvação em Cristo, crucificado-ressuscitado.
            
 Os discípulos de outrora, reconheceram o Senhor ressurgido por meio da fração do pão e de suas chagas gloriosas. Os cristãos de hoje, reconhecem e crêem no Ressuscitado por meio da fé da Igreja, no testemunho apostólico dos que fizeram a experiência discipular e pascal com Jesus Cristo e a transmitiram, ao longo dos séculos, ensinando e celebrando.
             
A ressurreição é um mistério de fé que transcende o limite natural da existência: a morte. Obra inefável e teofânica de algo maior a envolver a crença nessa verdade de fé cristã, na veracidade do acontecimento da Ressurreição do Senhor e sua influência salvadora na vida de todos os seres humanos.
            
 O filósofo moderno Martin Heidegger, em seu estudo acerca da metafísica do ser, afirma que, “a essência da presença é a existência”. Relacionando o conceito filosófico-metafísico com a cristologia da ressurreição, pode-se dizer que o mistério pascal do Senhor é a essência de sua sagrada presença. Apartir de sua misteriosa existência como Verbo Divino humanizado (encarnado) e ressurgido (ressuscitado) Jesus dá novo sentido à vida humana, visto que a ressurreição é por índole uma realidade fideístico-metafísica, pois vai além do natural humano: a finitude temporal (a morte). Diz Santo Agostinho – “A vida mortal é a esperança da vida imortal”, logo em Cristo, primícia dos que morreram, concretiza-se plenamente essa máxima da esperança cristã, esperança final que penetra pela fé toda a essência do ser humano enquanto um ser que aspira pelo transcendente, pelo algo mais do depois da natureza palpável - o sobrenatural. O Ressuscitado é, portanto, esse sobrenatural, que rompe com o elo mortal que cessa a existência, dando a ela uma nova realidade, uma realidade mística e infinita em Deus. 
            
 A paixão, morte e ressurreição de nosso Senhor é a mais eloquente, mesmo que misteriosa por sempre, explicação do sobrenatural que compreende a divindade do Filho de Deus, que se revela existencialmente como Jesus de Nazaré (Jesus histórico) e de forma sobrenatural como o Cristo da fé numa unidade inquebrantável. O mistério da ressurreição não é um fato isolado na história da humanidade de Jesus, é referência existencial da esperança final (escatológica) de todo ser humano no Ressuscitado: a vida eterna, e nela todo aspecto salvífico e redentor que contém e é dado ao próprio homem participar de tal tesouro de fé, por ser ele (o homem) o destinatário direto da graça que advém da ressurreição do Senhor. Pois a vitória de Cristo Ressuscitado é a vitória de todo cristão! Em suma, rezamos com São Paulo Apóstolo: “Se com Cristo morrermos, com Ele ressuscitaremos”.

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