A vida cristã na Páscoa de Cristo
Vivenciando o tempo pascal
Por Marcos Cassiano Dutra
Com a celebração
do tríduo pascal, a Igreja inicia o tempo litúrgico da páscoa. A presença do
Ressuscitado, simbolizado no círio aceso durante as celebrações, é sinal
simbólico de sua vitória triunfal frente ao pecado e a morte. Branca é a cor da
liturgia nesse período solene, significa o caráter festivo que envolve a
comunidade de fé, a qual caminhou penitente durante a quaresma para vislumbrar,
na esperança, a escatologia final de todos apartir da redenção e salvação em
Cristo, crucificado-ressuscitado.
Os discípulos de outrora,
reconheceram o Senhor ressurgido por meio da fração do pão e de suas chagas
gloriosas. Os cristãos de hoje, reconhecem e crêem no Ressuscitado por meio da
fé da Igreja, no testemunho apostólico dos que fizeram a experiência discipular
e pascal com Jesus Cristo e a transmitiram, ao longo dos séculos, ensinando e
celebrando.
A ressurreição é um mistério de fé
que transcende o limite natural da existência: a morte. Obra inefável e
teofânica de algo maior a envolver a crença nessa verdade de fé cristã, na veracidade
do acontecimento da Ressurreição do Senhor e sua influência salvadora na vida
de todos os seres humanos.
O filósofo moderno Martin Heidegger,
em seu estudo acerca da metafísica do ser, afirma que, “a essência da presença é
a existência”. Relacionando o conceito filosófico-metafísico com a cristologia
da ressurreição, pode-se dizer que o mistério pascal do Senhor é a essência de
sua sagrada presença. Apartir de sua misteriosa existência como Verbo Divino
humanizado (encarnado) e ressurgido (ressuscitado) Jesus dá novo sentido à vida
humana, visto que a ressurreição é por índole uma realidade
fideístico-metafísica, pois vai além do natural humano: a finitude temporal (a
morte). Diz Santo Agostinho – “A vida mortal é a esperança da vida imortal”,
logo em Cristo, primícia dos que morreram, concretiza-se plenamente essa máxima
da esperança cristã, esperança final que penetra pela fé toda a essência do ser
humano enquanto um ser que aspira pelo transcendente, pelo algo mais do depois
da natureza palpável - o sobrenatural. O Ressuscitado é, portanto, esse
sobrenatural, que rompe com o elo mortal que cessa a existência, dando a ela
uma nova realidade, uma realidade mística e infinita em Deus.
A paixão, morte e ressurreição de
nosso Senhor é a mais eloquente, mesmo que misteriosa por sempre, explicação do
sobrenatural que compreende a divindade do Filho de Deus, que se revela
existencialmente como Jesus de Nazaré (Jesus histórico) e de forma sobrenatural
como o Cristo da fé numa unidade inquebrantável. O mistério da ressurreição não
é um fato isolado na história da humanidade de Jesus, é referência existencial
da esperança final (escatológica) de todo ser humano no Ressuscitado: a vida
eterna, e nela todo aspecto salvífico e redentor que contém e é dado ao próprio
homem participar de tal tesouro de fé, por ser ele (o homem) o destinatário
direto da graça que advém da ressurreição do Senhor. Pois a vitória de Cristo
Ressuscitado é a vitória de todo cristão! Em suma, rezamos com São Paulo
Apóstolo: “Se com Cristo morrermos, com Ele ressuscitaremos”.
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