Família e atualidade
O desafio de ser e ter família
Por Marcos Cassiano Dutra
Introdução
É inegável que o Século XXI sinaliza
uma época de mudanças no comportamento da humanidade; esse fenômeno é o efeito
social dos avanços tecnológicos e científicos proporcionados pelas pesquisas
nessas três áreas do conhecimento humano. Avanços sempre bem vindos, desde que
primem pela melhor qualidade de vida corporal, mental e espiritual do homem.
Inserida na realidade desses avanços
que quebram paradigmas e inauguram um novo período na história, a família
contemporânea precisa ser astuta, a fim de não se deixar influenciar de maneira
negativa pela ideologia moderna da “evolução” familiar, cultural e social a
todo custo e sem medir as trágicas conseqüências dessa mentalidade efêmera.
Ver a realidade
Um dos responsáveis por essa mudança
no comportamento sócio-familiar hodierno é o fenômeno da instantaneidade,
mentalidade que visa somente o momento presente, despreza o passado e não pensa
no futuro. Esse tipo de pensamento difuso é o que proporciona a constituição
equivocada de casais por ocasião, algo que não contribui para um verdadeiro
planejamento conjugal e familiar adequado. Uma família que nasce a partir do
erotismo, dificilmente se estabelecerá como espaço da vida que germina da
conjugalidade amorosa, sincera e comprometida entre homem e mulher.
Outro dado interessante é a renda
dupla entre esposo e esposa, ambos presentes no mercado de trabalho. Essa é uma
característica dos lares atuais, porém, isso não deve legitimar o
distanciamento entre pais e filhos devido à carga horária de trabalho dos
esposos. Nesse sentido, a organização de espaço e tempo para a educação e a
presença paterna e materna na vida dos filhos é de suma importância, dado que a
formação de uma criança se dá por meio da transmissão dos valores humanos,
sociais, cívicos e religiosos, bem como no limite com consciência, cuja tarefa
específica é dos pais. Crianças cujos pais são ausentes tornam-se adultos
deficientes no quesito saúde no convívio social e na relação consigo mesmo, na
administração de suas alegrias e tristezas.
Julgar a realidade
A cultura pós-moderna do “apareço,
logo existo” influência pais e mães, que utilizam dos próprios filhos como
plataforma de reconhecimento coletivo, por meio da exposição social infantil. O
que eles não sabem é que esse tipo de atitude destrói o desenvolvimento natural
de uma criança, anulando sua infância e deformando, em longo prazo, sua
maturidade nas etapas posteriores (adolescência, juventude e vida adulta).
A criança deve ser tratada como
criança e viver com saudável intensidade a infância. Torná-la um “mini-adulto”
é desfigurá-la, ou seja, tornar a criança uma caricatura de gente. Isso
perpassa o aspecto da linguagem, das ações e das roupas, isto é, do
comportamento infantil.
Os meios digitais como a internet e
o celular, entre outros aparelhos, ajudam a criança quando os pais realmente
disciplinam e as acompanham na utilização desses recursos atuais de
comunicação. Quando o acompanhamento educativo não acontece, internet e celular
se tornam instrumentos de perigo e insegurança, haja vista a distância entre o
domínio técnico e o domínio ético para o manuseio coerente desse aparato
digital.
É fato! As crianças de hoje já
nascem envolvidas pelo mundo digital, por isso adquirem com maior facilidade
incrível o domínio dessa tecnologia. Cabe aos pais educar seus filhos (nativos
digitais) para o domínio ético, tão importante quanto o técnico.
Agir na realidade
Em suma, família, cultura e
sociedade estão em constante relação. Portanto, é pertinente haver uma coerente
integração entre elas, caso contrário multiplicar-se-á famílias que não formam
filhos para a cidadania, uma cultura que não motiva para o bem, a paz e a
justiça e uma sociedade não integrada, pois a base da civilização do amor está
radicada no núcleo da família.
Nenhum comentário:
Postar um comentário