quarta-feira, 29 de maio de 2013

A família em nosso tempo


Família e atualidade
O desafio de ser e ter família
Por Marcos Cassiano Dutra

Introdução     
            É inegável que o Século XXI sinaliza uma época de mudanças no comportamento da humanidade; esse fenômeno é o efeito social dos avanços tecnológicos e científicos proporcionados pelas pesquisas nessas três áreas do conhecimento humano. Avanços sempre bem vindos, desde que primem pela melhor qualidade de vida corporal, mental e espiritual do homem.
            Inserida na realidade desses avanços que quebram paradigmas e inauguram um novo período na história, a família contemporânea precisa ser astuta, a fim de não se deixar influenciar de maneira negativa pela ideologia moderna da “evolução” familiar, cultural e social a todo custo e sem medir as trágicas conseqüências dessa mentalidade efêmera.

Ver a realidade         
            Um dos responsáveis por essa mudança no comportamento sócio-familiar hodierno é o fenômeno da instantaneidade, mentalidade que visa somente o momento presente, despreza o passado e não pensa no futuro. Esse tipo de pensamento difuso é o que proporciona a constituição equivocada de casais por ocasião, algo que não contribui para um verdadeiro planejamento conjugal e familiar adequado. Uma família que nasce a partir do erotismo, dificilmente se estabelecerá como espaço da vida que germina da conjugalidade amorosa, sincera e comprometida entre homem e mulher.            
            Outro dado interessante é a renda dupla entre esposo e esposa, ambos presentes no mercado de trabalho. Essa é uma característica dos lares atuais, porém, isso não deve legitimar o distanciamento entre pais e filhos devido à carga horária de trabalho dos esposos. Nesse sentido, a organização de espaço e tempo para a educação e a presença paterna e materna na vida dos filhos é de suma importância, dado que a formação de uma criança se dá por meio da transmissão dos valores humanos, sociais, cívicos e religiosos, bem como no limite com consciência, cuja tarefa específica é dos pais. Crianças cujos pais são ausentes tornam-se adultos deficientes no quesito saúde no convívio social e na relação consigo mesmo, na administração de suas alegrias e tristezas.



Julgar a realidade    
            A cultura pós-moderna do “apareço, logo existo” influência pais e mães, que utilizam dos próprios filhos como plataforma de reconhecimento coletivo, por meio da exposição social infantil. O que eles não sabem é que esse tipo de atitude destrói o desenvolvimento natural de uma criança, anulando sua infância e deformando, em longo prazo, sua maturidade nas etapas posteriores (adolescência, juventude e vida adulta).
            A criança deve ser tratada como criança e viver com saudável intensidade a infância. Torná-la um “mini-adulto” é desfigurá-la, ou seja, tornar a criança uma caricatura de gente. Isso perpassa o aspecto da linguagem, das ações e das roupas, isto é, do comportamento infantil.
            Os meios digitais como a internet e o celular, entre outros aparelhos, ajudam a criança quando os pais realmente disciplinam e as acompanham na utilização desses recursos atuais de comunicação. Quando o acompanhamento educativo não acontece, internet e celular se tornam instrumentos de perigo e insegurança, haja vista a distância entre o domínio técnico e o domínio ético para o manuseio coerente desse aparato digital.
            É fato! As crianças de hoje já nascem envolvidas pelo mundo digital, por isso adquirem com maior facilidade incrível o domínio dessa tecnologia. Cabe aos pais educar seus filhos (nativos digitais) para o domínio ético, tão importante quanto o técnico.

Agir na realidade      
            Em suma, família, cultura e sociedade estão em constante relação. Portanto, é pertinente haver uma coerente integração entre elas, caso contrário multiplicar-se-á famílias que não formam filhos para a cidadania, uma cultura que não motiva para o bem, a paz e a justiça e uma sociedade não integrada, pois a base da civilização do amor está radicada no núcleo da família.    
 

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