terça-feira, 1 de novembro de 2011

Missão e ciência em diálogo

Mundo, Igreja e missão
Por Marcos Cassiano Dutra


A missão, dentro do contexto religioso cristão, é também um aspecto antropológico por que caracteriza o penetrar do Evangelho nas diferentes culturas humanas. Na medida em que os valores evangélicos se inculturam em determinada realidade sócio-cultural isso requer, por parte dos missionários e da Igreja que os envia, um sério estudo acerca de determinada manifestação do fenômeno humano (antropos), a fim de trabalhá-la assertivamente na promoção dos elementos humano-cristãos como a paz, a caridade, a justiça, o amor.

Ser missionário e Igreja missionária é fazer acontecer a missão. Uma atitude cristã que requer a utilização das várias ciências do homem como instrumentais e parceiros na ação missionária do discipulado cristão. Tais ciências, em especial a antropologia, ajudam a Igreja a compreender melhor o homem temporal e apresentar de forma eloqüente a ele a fé em Cristo, sem romper com os laços culturais que o envolvem em sua identidade humana local.
           
Nesta relação dialogal entre missão e ciência antropológica ambas saem ganhando. A contribuição científica no campo missionário ajuda a pessoa religiosa a ampliar sua visão sobre o ser humano, sem reduzi-lo a mero expectador da Revelação e sim destinatário privilegiado desse processo fideístico. Da mesma forma a missão contribui com a área científica da antropologia, no sentido de que proporciona a essa ciência uma hermenêutica sempre atual sobre o caráter religioso que envolve o humano. Se a missão for entendida dentro desses princípios dialogais, então a nova evangelização tornar-se-á mais fecunda e contemporânea da humanidade, colaborando no desenvolvimento de uma sociedade mundial mais saudável e integrada dentro de uma perspectiva soteriológica da salvação integral do gênero humano em todas as dimensões de seu existir corpóreo e transcendente.

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