segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Senso crítico cristão IV

Caminhos de existência
O caminho neopentecostal
Por J. B. Libanio, SJ

O caminho dos neopentecostais assemelha-se ao dos carismáticos católicos só aparentemente. Há profunda distância.
           
 A experiência de converção marca-lhe o início, não no sentido da tradição católica de mudança radical de vida do pecado para a graça, de vida longe de Deus para comunhão com ele. Não, aqui significa adotar a conduta, o comportamento, as práticas religiosas da Igreja neopentecostal em contraste com outras práticas até então vividas. E, em muitos casos, perdem-se valores fundamentais como a eucaristia, a fé na pessoa histórica de Jesus, para professar algumas verdades isoladas e atitudes fanáticas, com observâncias ritualistas ou moralistas.
           
O forte desse caminho está no jogo mercantilista de pagar polpudo dízimo a fim de obter a bênção de Deus em bens materiais. A converção acontece por insistência proselitista de algum pastor ou membro da família. Aproveita-se a situação de fragilidade das pessoas, como doença, perda de algum familiar, para propor-lhes a mudança de Igreja e de religião.
           
Que fascínio esse caminho oferece, a ponto de tantos o seguirem? Num mundo marcado por anomia moral, os evangélicos insistem na moralidade externa de não beber e não freqüentar festas mundanas. Reerguem a muitos que se entregavam a vida devassa e a bebedeira. Prometem a bênção de Deus para tal vida nova. Esta se concretiza em bens materiais. Estabece-se verdadeira relação comercial entre o fiel e Deus. E a maneira de conquistar as graças de Deus passa pela converção e pela fidelidade no pagamento do dízimo.
           
Esse caminho produz em alguns a recuperação do senso de dignidade de uma vida inútil e agora acolhida pela Igreja na pessoa do pastor. Tiveram ocasião de falar e narrar a própria vida e isso os reabilita.

Fonte: Semanário Litúrgico-Catequético O Domingo, Paulus Editora, Novembro de 2011.

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