O Magnificat
Por Marcos Cassiano Dutra
Grande é a devoção que o povo de Deus tem pela mãe de Cristo, a Santíssima Virgem. O Concílio Vaticano II, na Constituição dogmática Lumen Gentium, ao falar sobre a Virgem Imaculada, diz que “a devoção a Maria é um meio essencialmente ordenado para orientar as almas a Cristo e assim uni-las ao Pai, no amor do Espírito Santo”. Diante de tais inspiradoras palavras, queremos refletir sobre um dos cânticos bíblicos que a Sagrada Escritura nos apresenta por meio da narração de Lucas evangelista, o “Magnificat” (Cf. Lc 1, 46-56) canto de Maria, a mulher bendita de Nazaré: “A minha alma engrandece ao Senhor e exulta meu espírito em Deus meu salvador”.
No início do evangelho segundo Lucas, logo no capítulo primeiro, lemos a narrativa da Anunciação. Mais adiante, deparamo-nos com a atitude e o exemplo da caridade cristã de Maria ao visitar e auxiliar na gravidez de sua parenta Isabel. Prosseguindo nossa leitura, encontramos um hino entoado pela Virgem de Nazaré na ocasião da visitação à mãe do Batista; o conteúdo poético deste canto mariano tornou-se, ao longo dos tempos, uma tradicional oração dos cristãos na Liturgia das Horas. É um canto de ação de graças, mas também é um canto profético, pois, nas palavras de Nossa Senhora, está a presença de um Deus justo, misericordioso, protetor e atuante na história de seu povo, o qual cumpre sua promessa ao socorrer Israel, isto é, ao encarnar seu Verbo.
O “Magnificat” exalta a onipotência divina e sua santidade, ao mesmo tempo, alerta-nos a respeito das situações de pobreza, fome, injustiça e opressão presentes na realidade, as quais ferem a dignidade humana dos filhos e filhas de Deus. Frente a estes acontecimentos de morte, surge a mão do Todo-poderoso como sinal de esperança aos pequenos explorados; a força do braço do Deus cantado no “Magnificat” de Maria é uma força de justiça que assegura aos desprovidos o acesso aos bens básicos.
Este hino de Nossa Senhora é para nós hoje um convite à ação social cristã alicerçada nas palavras do Evangelho, convidando-nos ao nosso “magnificat” diário diante das situações e estruturas de marginalização e miséria existentes na sociedade. Da mesma forma que o Deus que Maria canta possui uma autoridade-serviço, também nós assim o devemos fazer por meio da solidariedade evangélica, a qual aprendemos ao ouvir o cantar da profetisa Virgem de Nazaré.
No conteúdo sagrado deste canto bíblico, está o sonho do reino acontecendo em nosso meio como um grande mutirão de partilha e amor, sinais concretos da boa-notícia, os quais se desenvolvem nos ambientes que entendem a melodia utilizada por Maria para entoar este hino: o profetismo.
Maria empresta sua voz como instrumento de denúncia das desigualdades e maldades praticadas contra os pobres, vítimas da exclusão social e destinatários privilegiados do Evangelho, anunciando um novo tempo. Que nossas vozes sejam da mesma forma utilizadas para defender as pessoas pobres e oprimidas do “Magnificat”, sem terra, pão, lar, saúde e educação assim como Nossa Senhora o fez. “Maria o “Magnificat” cantou e com ela também nós vamos cantar!”
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