Os mártires e seus exemplos de fé
Por Marcos Cassiano Dutra
“O sangue dos mártires é semente de novos cristãos”. Essa frase, extraída dos escritos de Tertuliano, um dos historiadores antigos do cristianismo em Roma, faz referência ao período de grande perseguição e assassinato de muitos cristãos no extinto império romano. Tais palavras eram inscritas nas catacumbas, localizadas debaixo da cidade eterna, onde eram sepultados os restos mortais dos martirizados, como uma forma de honrar a memória dos que derramaram o sangue testemunhando a fé em Jesus.
Vemos então que o martírio, como testemunho da fé em Cristo, foi e é um companheiro constante ao longo da história do Cristianismo. Começou ainda nos primórdios da Igreja com o apedrejamento de Santo Estevão pelos judeus, e continua hoje em todas as partes do mundo. Na nossa América Latina e Brasil, muitos são os irmãos e irmãs que já tombaram, tombam e continuarão tombando, neste chão ameríndio, por terem ousado levantar a voz em defesa dos direitos humanos como prática virtuosa, evangélica e profética, dos gestos, palavras e ações de nosso Senhor, que diz: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em plenitude”.
Lembremos nossos mártires latino-americanos, vitimados pela ganância e pela injustiça: os padres Josimo Morais Tavares, Ezequiel Ramin, Rodolfo Luckenbein e João Bosco Penido Burnier, as religiosas irmã Cleusa (assassinada porque defendia os indígenas da Amazônia) e Dorothy Stang (que trabalhava na Comissão Pastoral da Terra, no Pará), Dom Oscar Romero em El Salvador e os leigos Chico Mendes e Margarida Alves, entre tantos outros.
Entoa um canto popular: “A vida de quem tombou é força viva de paz!” Sim! Nós cremos na mesma fé dos irmãos que foram martirizados, lutando com as armas do Evangelho, contra as estruturas opressoras em favor do povo de Deus; fé esta, fundamentada em Cristo, o qual os precedeu no martírio suspenso em seu santo madeiro.
“Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão”. Grau heróico de uma santidade ainda não citada nas memórias litúrgicas e infelizmente encoberta nos livros da história, mas presente na força dos que corajosamente, em nossos dias, continuam essa missão cristã e humanitária nas organizações e iniciativas populares e pastorais. Rezemos ao Senhor em memória desses irmãos e irmãs, o sangue deles irriga de esperança a sociedade contemporânea. “Morre o tirano e morre o seu poder, morre o mártir e nasce o seu poder”. Mártires de ontem e de hoje, roguem a Deus por todos nós!
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