sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O Catecismo da Igreja Católica

O Catecismo da Igreja
A dimensão da fé católica
Por Marcos Cassiano Dutra
 
Introdução

            O Catecismo da Igreja é um importante documento sobre a doutrina católica, o qual foi promulgado pelo saudoso Papa João Paulo II no dia 11 de outubro de 1992. A palavra "catecismo" origina-se do termo grego katecheo que significa informar, instruir e ensinar. Nele encontram-se distintos tópicos que circundam a vida e fé cristã, os quais são expostos, com o objetivo de formar e direcionar o povo de Deus, explicando a doutrina da Igreja.
            Neste presente artigo, uma síntese breve da primeira parte do Catecismo, será argumentada a questão da fé, em quatro tópicos que se relacionam entre si: fé, uma graça de Deus; fé, de quem recebemos; fé em Jesus Cristo e o depósito da fé, visto que, a fé por nós hoje professada é resultado de todo um processo divino e histórico, nos quais estão a Sagrada Escritura, a sagrada Tradição e o Magistério da Igreja. Uma base importante que sustenta o catolicismo.

a) Fé, uma graça de Deus

            Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa, a fé é uma convicção da existência de algum fato ou de veracidade de alguma asserção. Graça é um dom sobrenatural, concedido por Deus como meio de salvação. Estas duas realidades (fé e graça) caminham juntas, ou seja, fazem parte da vida humana, dado que, como escreve o próprio Catecismo, “O homem é, por natureza e por vocação, um ser religioso. Porque provém de Deus e para ele caminha”, isto é, a essência humana está em Deus, o qual transcende o ser humano pela fé e a ele se revela pela graça, por meio de uma pedagogia divina.
                        Deus vem ao nosso encontro
                        Homem, ser voltado para Deus
                        Logo, um ser transcendental.

b) Fé, de quem recebemos?

            A revelação é um conjunto de verdades sobrenaturais manifestadas por Deus ao homem através da inspiração e iluminação comunicada aos Patriarcas, Profetas e Apóstolos. Deus é quem toma a iniciativa de revelar-se (fazer conhecer-se), por isso vem ao encontro do homem (ser dotado de fé e graça). A revelação consiste em uma única base: o projeto benevolente de Deus (aliança), e este projeto ou aliança acontece dentro de um período chamado história da salvação, onde Deus revela-se ao homem por meio de uma sequência de fatos, coisas e pessoas. Na criação revela-se comunicando-lhe gradualmente seu próprio mistério através de ações e palavras; em Noé uma aliança com ele e todos os seres vivos; em Abraão uma aliança com ele e sua descendência, seu povo, ao qual por intermédio de Moisés libertou da escravidão e revelou sua lei; pelos profetas, preparando este povo a acolher a salvação destinada á humanidade inteira.
            E na plenitude dos tempos Deus revelou-se plenamente ao homem na encarnação de seu próprio Filho (rosto humano de Deus e rosto divino do homem), no qual estabeleceu sua aliança eterna, visto que, o Filho é a palavra definitiva do Pai, pois, após ele não há outra revelação.
            Todo este conteúdo histórico de fé, foi guardado, transmitido e interpretado de duas formas: oral e escrita. Desta forma deu-se a transmissão da revelação divina: pela Bíblia, pregação e Tradição Apostólica com o auxílio do Espírito Santo, intérprete da Escritura.

c) Fé em Jesus Cristo

            Nossa fé é cristã, visto que Jesus é o Filho de Deus. Portanto, acreditamos em Jesus Cristo. A respeito disso o Catecismo da Igreja iluminadamente diz. “Para o cristão, crer em Deus é, inseparavelmente, crer naquele que Ele enviou, “seu Filho bem amado”, no qual Ele pôs toda a sua complacência; Deus mandou que o escutássemos. O próprio Senhor disse a seus discípulos: “Crede em Deus, crede também em mim (Jô 14,1). Podemos crer em Jesus Cristo por que ele mesmo é Deus, o Verbo feito carne: “Ninguém jamais viu a Deus: o Filho Unigênito, que está voltado para o seio do Pai, este é o único que o conhece e pode revelá-lo. Por ter ele “visto o Pai” (Jô 6,46), ele é o único que o conhece e pode revelá-lo. Por isso cremos nele e buscamos praticar seus ensinamentos expressos nos evangelhos.     

d) Depósito da fé

            Depositar significa guardar em lugar seguro. Este lugar vem a ser o depósito, onde o depositante deposita algo que lhe é valioso, e, por conseqüência de sua valiosidade deve ser protegido pelo depositário (aquele que recebe o depósito).
            Deus é o depositante, o qual deposita o tesouro valioso da revelação no local seguro que é a Igreja (depositum fidei), da qual os apóstolos (os bispos e o papa) são os depositários, os guardiões deste patrimônio sagrado contido na Escritura e na sagrada Tradição. A Igreja, por meio de seu mandato divino tem pois, a missão de transmitir e interpretar a revelação (tesouro de fé) na sua doutrina, vida e culto.

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