sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Relativismo da instituição familiar

A família hodierna
Por Marcos Cassiano Dutra

 
A sacralidade da família humana é algo cuja essência precede sua aparência, antecedendo os dados biológicos e sociais que a compõem, pois advém primeiramente de algo maior, inexaurível, inefável e transcendente: Deus. É do desejo divino que provém à fertilidade humana e sua fecundação natural, é este anseio divinal e criativo quem dota de capacidades procriadoras o homem e a mulher, concedendo a ambos a missão humana, social e cristã da maternidade e paternidade, dentro de uma união estável e verdadeiramente amorosa, que Cristo identificou e elevou, indiretamente, a dignidade de sacramento. Relativizar, dentro do contexto social, a constituição natural da família humana é, portanto, colocar em risco a própria integração social, visto que, ela é célula mater de uma sociedade saudável, junto com sua dimensão eclesial de ser igreja doméstica e santuário da vida. Todo ser humano, homem e mulher, independentemente de suas posteriores opções de vida, possuem o mesmo soberano direito a uma família naturalmente constituída.
O reconhecimento civil da união homossexual com vistas à partilha de bens patrimoniais e acesso a créditos financeiros é um passo legislativo compreensível, no sentido de que visa garantir a esses grupos uma estabilidade financeira, iniciativa que prima pela não marginalização desta parcela da sociedade. Agora, equiparar tal união com a de característica heterossexual como sendo família, é um ato relativista e atentado contra o núcleo social que se desenvolve primordialmente no lar e amplia-se na realidade humana exterior e temporal (mundo). Logo, a proposta de lei para adoção de crianças, por pessoas do mesmo sexo, é colocar em risco a integração e identidade sócio-familiar, gerando confusão de papéis importantes, distintos e sagrados como a paternidade e maternidade, um atentado psicológico e desumano contra o futuro da nação.
Colocar o direito de ser e ter família de escanteio, rotulando como ultrapassado e preconceituoso é, por índole, esvaziar o depositum caritas (depósito de amor) que nela contém. “Só se ama aquilo que se conhece”. Enquanto se ignorar a importância secular da família humana naturalmente constituída dentro da sociedade, perder-se-á a oportunidade de conhecer e reconhecê-la, cada vez mais, como escola para a vida. Uma tradição social não constrói e se consolida fundamentando-se em argumentos fóbicos e teorias relativistas, generalizantes e falaciosas, pelo contrário, edifica-se no respeito a suas instituições importantes que salvaguardam sua estrutura integradora e formadora de cidadãos; a família é uma dessas instituições estruturais da sociedade, defendê-la e difundi-la é, antes de ser atitude cristã, uma atitude cidadã e consciente de quem realmente pensa no futuro sem abrir mão dos valores morais imprescindíveis para um assertivo progresso humano, neste alvorecer do novo milênio.

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