A música litúrgica
A importância do canto dentro da celebração
Por Marcos Cassiano Dutra
A liturgia é o serviço sagrado por meio do qual se ministra os sacramentos, também é ação celebrativa da comunidade de fé dos discípulos de Jesus. Todo este sentido servidor e ativo (dinâmico) compõe a celebração dos mistérios que envolvem a fé cristã e de tudo aquilo que a eles nos ligam; portanto, celebrar é algo importante na vida daqueles que acreditam em Cristo e almejam viver como Ele.
Dada a importância do ato de celebrar a fé na vida, desde os primórdios, as comunidades cristãs, já nos primeiros séculos, entenderam que o ritual não era algo qualquer, por isso mesmo, ao longo do tempo, foram estruturando a maneira com a qual celebravam a ceia do Senhor e os demais sinais instituídos, direta ou indiretamente, por Jesus para a santificação dos cristãos, fundamentados em um clássico critério de nobreza e simplicidade da ação litúrgica, critério esse retomado pela reforma conciliar do Vaticano II.
A liturgia é nobre porque está inteiramente voltada para o mistério de Deus que é Pai, Filho e Espírito, ou seja, situa-se dentro do mistério para assim transmiti-lo, celebrá-lo. É simples porque jamais deve distanciar-se de sua essência celebrativa que é a fração do pão eucarístico e o lava-pés, a partilha e a caridade na gratuidade (diaconia). Com relação a todo este aspecto litúrgico, é oportuno recordar as sábias palavras de João Paulo II, “Que vosso modo de celebrar seja a própria expressão de vossa fé!”
E, para ressaltar tal nobreza e simplicidade e ao mesmo tempo motivar a participação dos fiéis nas celebrações, surge também na longa tradição litúrgica da Igreja a música como expressão musical daquilo que se celebra, seja ao acompanhar os ritos ou quando são em si o próprio rito. “As realidade que Deus quer revelar e comunicar na liturgia são tão grandes, tão profundas e inefáveis que o homem não consegue exprimi-las por palavras. Por isso, ele recorre a uma linguagem mais profunda” (Alberto Beckhauser, OFM). O canto na liturgia é pois esta linguagem profunda, pedagógica e poética que auxilia todos na compreensão, contemplação e celebração da fé e sua mensagem salvadora (libertadora). Por isso o Concílio vai dizer que, “A música sacra é tanto mais santa quanto mais intimamente se articula com a ação litúrgica, contribuindo para a expressão mais suave e unânime da oração ou conferindo ao ritual maior solenidade” (Sacrosanctum Concilium, Cap. VI).
O canto dentro da ação celebrativa, como diz o Concílio, é sacro, isto é, sagrado, por isso jamais se canta na e sim a liturgia, com a assembleia celebrante, não são em vão as palavras de Santo Agostinho, “Queres saber em que creio, venha a igreja ouvir o que canto”. Cantar a música litúrgica é cantar nossa fé cristã católica e dignamente celebrá-la em comunidade assim como a igreja primitiva o fazia de forma nobre e simples. Se tudo isso for ignorado e relativizado, o que celebraremos?
Para refletir:
- Na minha comunidade paroquial a liturgia é bem celebrada e participada?
- Lá na paróquia, os corais cantam na ou a liturgia?
- O que eu, você, nós podemos fazer para melhorar esta situação?
Nenhum comentário:
Postar um comentário