Catequese eclesiológica
Os sacramentos e a mulher na Igreja
Por Marcos Cassiano Dutra
Os sacramentos são realidades divinas que tocam o ser humano na dimensão de sua vida cristã, visando santificá-lo no exercício da fé; por isso são sinais sagrados, por que nascem do Sagrado, Deus. Logo não são de autoria humanística, embora, pela ação providencial do Espírito Santo, ao longo da história da Igreja, foram identificados e organizados em sete pelos cristãos.
A essência sacramental é, portanto Deus, o qual é eterno e não está preso ao tempo, ou seja, é atemporal, por isso seus sinais sagrados (sacramentos), assim como ele, não estão presos aos modismos temporais, visto que apontam para a eternidade acompanhando a vida dos cristãos. Querer torná-los aquilo que não são é esvaziá-los de seu significado escatológico, isto é, tornar o sagrado profano.
A mulher e sua força feminina são importantes no mundo e na Igreja, velar por sua dignidade e visibilidade no ambiente de trabalho e religioso são iniciativas sociais e eclesiais oportunas, partindo das premissas de que homem e mulher são imagem e semelhança do criador e cidadãos com os mesmos direitos e deveres. Honrar a feminilidade da mulher no trabalho é sinônimo de salário e ambiente trabalhista dignos, acesso ao estudo, a saúde e participação política. No ambiente religioso é sinônimo de participação eclesial mais ativa nas pastorais, movimentos e organismos paroquiais, bem como a valorização da vocação religiosa, a exemplo de Maria, a qual colocou seu vigor feminino a serviço dos irmãos, na caridade, oração e sempre fiel ao seguimento de Cristo como discípula e missionária atenta as palavras do Mestre de Nazaré. Valorizar as mulheres da Igreja (meninas, moças, senhoras, mães e religiosas) é ofertar a elas, diariamente, a mesma flor que se deposita aos pés da Santíssima Virgem: a do amor cristão, que ama o próximo tal qual ama Deus.
Pelo Batismo cada cristão é ungido profeta, sacerdote e rei, participando assim do sacerdócio comum dos fiéis, que formam a Igreja, o povo sacerdotal que a Deus pertence e para ele caminha. Nesse aspecto, o argumento sobre a ordenação de pessoas do sexo feminino é falacioso e contraditório, por que ignora uma das características batismais citada acima: o sacerdócio comum dos fiéis batizados.
O Sacramento da Ordem está intimamente ligado ao ministério ordenado que é, por índole, uma vocação específica, assim como o sacramento e vocação para o matrimônio. Este chamado específico é entendido pela Igreja como presbiteral ou sacerdotal, se difere do sacerdócio comum dos fiéis, no sentido de que “confere um poder sagrado para o serviço dos mesmos fiéis” (Catecismo da Igreja Católica). E esse serviço ministerial é exercido junto ao povo de Deus (é comunitário) pelo ensino (munus docendi), pelo culto divino (munus liturgicum) e pelo governo pastoral (munus regendi).
Especular a disciplina dos sacramentos é uma atitude católica e saudável, quando o objetivo é uma maior reflexão com reta intenção e sem o desprezo e abandono da espiritualidade cristã que os envolvem. Quando isso não acontece, infelizmente corre-se o risco de anular o caráter teológico-sacramental, aplicando-lhes ideologias feministas. Em suma, os sacramentos são sinais do sagrado para o humano e não do humano para o sagrado, e, a valorização da mulher dentro da estrutura eclesiástica é uma atitude a ser desenvolvida de forma assertiva, evangélica e responsável, sempre atenta ao magistério, caso contrário torna-se sensacionalista, fóbica e tendenciosa, fugindo de seu nobre ideal.
Nenhum comentário:
Postar um comentário