Agosto, mês vocacional
Por Marcos Cassiano Dutra
A Igreja no Brasil, dentro de sua singular dinâmica pastoral, possue vários meses temáticos que tem a finalidade de auxiliar os fiéis cristãos na meditação de algum tema propício. O mês vocacional, celebrado sempre em Agosto, é uma destas ocasiões temáticas e meditativa. Sempre a questão das vocações foi algo enfocado, direta ou indiretamente, na vida da comunidade eclesial; Jesus nos Evangelhos pede aos cristãos que, rezem ao Senhor da messe para que envie mais operários, porque ela é grande, porém os operários são poucos.
Tais palavras do Mestre de Nazaré soam em nossos ouvidos como um apelo orante do Bom Pastor, visto que seu rebanho não deve perecer por falta de pastores bons, de pessoas dispostas a aderirem ao seu caminho, a sua missão, ao Reino de Deus, como colaboradores e colaboradoras nesta empreitada exigente, porque requer a renúncia do próprio eu, entretanto santificante, pois nos torna instrumentos de paz, de vida, de defesa dos direitos humanos como gesto concreto evangélico.
Por isso o mês de agosto é propício no que tange um maior aprofundamento acerca das vocações na vida e na missão da Igreja, dado que neste período do calendário anual, com o passar das semanas, a sagrada liturgia nos oferece distintos e importantes exemplos vocacionais, por meio dos quais Deus continua a chamar. Recordemos alguns desses exemplos: Santo Afonso Maria de Ligório 01/08, São João Maria Vianney 04/08, Santa Clara 11/08, São Bernardo, abade e doutor da Igreja 20/08, São Bartolomeu, apóstolo 24/08 e Santa Mônica 27/08. Todos eles são nossos intercessores e amigos do céu, gente humana e santa, que nos ensina a ser santos em cada vocação específica que o Pai celestial semeia criativamente em nossos corações.
Oportuno também é lembrar de duas solenidades celebradas em Agosto – a Transfiguração do Senhor em 06/08 e a Assunção de Nossa Senhora no dia 15, além do Dia dos Pais no segundo domingo do mês. Jesus Cristo é, por excelência, o centro de nossa fé cristã, Aquele o qual faz o chamado: “Vem e segue-me”. Maria é uma referência em seu sim solícito ao chamamento que Deus a fez e a paternidade responsável é uma vocação e missão especial no mundo, em particular na família, igreja doméstica, espaço humano essencial onde se dá os primeiros passos para um convívio social saudável.
Ser vocacionado é uma condição consequente do discipulado de Cristo. Quem quer segui-lo é chamado a fazer parte da comunidade de fé dos que acreditam na proposta evangélica do Reino. Não existe cristão sem vocação. É ilusão pensar a vida cristã sem o aspecto vocacional, oriundo de uma espiritualidade fundante em nosso Senhor , do contrário esvaziar-se-ia todo seu significado escatológico, pois toda a vocação aponta para algo maior e transcendente: Deus, fonte de todo bem. Como diria o Beato João Paulo II, ''Deus não é um ser indiferente ou longínquo, pois não estamos abandonados a nós mesmos''. A vocação nos torna participantes da mística divina de ser presença transformadora e testemunhal do Bem Maior no mundo hodierno. Ele, que chama não nos abandona e sim nos envia.
Bento XVI, no célebre livro-entrevista Luz do mundo, diz que – “Se a Igreja deixasse de existir, setores inteiros de vida entrariam em colapso”. Podemos afirmar que, se as vocações específicas deixarem de existir ou forem relativizadas, muitas vidas entrarão nesse colapso existencial citado. De todas as vocações, duas devem ser a motivação fundamental para a vivência das demais, estamos falando da vocação à vida, a ser pessoa humana e da vocação a ser cristão, pessoa de fé pelo Batismo. Se ambas são entendidas e vivenciadas dignamente, todas as outras conseguirão desenvolver-se de forma saudável e fundante dentro do processo humanístico de discernimento.
Celebrando em nossas dioceses, comunidades paroquiais, organismos pastorais e movimentos, o mês dedicado as vocações, roguemos ao Senhor da messe que conceda a graça da perseverança aos que foram chamados, do discernimento aos que se sentem chamados e que Ele não cesse de, em todos os tempos, fazer sempre o seu ardoroso convite aos homens e mulheres de boa vontade.
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